Eu sabia!

Usei lentes de contacto desde os 16 anos. Herdeira de famílias míopes, dos quatro costados, tive o meu destino marcado logo aí aos 5 ou 6 anos e não descansei enquanto não me livrei dos óculos.  Senti-me outra quando me pude ver ao longe, num espelho, num reflexo de montra, sem óculos! Que alegria pintar os olhos e ver como eles ficavam, entrar num café quente, em dias frios, sem ver tudo embaciado…enfim…. aquelas coisas que incomodam as adolescentes. (Ou incomodavam. É que hoje vendem-se óculos sem graduação nas lojas de roupa e acessórios!) Aguentei décadas as malvadas lentes duras, até que fizessem parte de mim. Perto dos 40 anos, percebi que elas estavam sempre sujas. Parecia que mal as punha ficavam com gordura!  Deixei de pôr anti- rugas nos olhos e  até maquilhagem mas não adiantou nada. E além de ver mal, os olhos ardiam! Foram dois os oftalmologistas a explicarem-me que era “stress”e tinha de esperar que passasse … usando óculos entretanto! Que machadada, acreditem! Óculos, outra vez!!!

É claro que perguntei aos médicos “qual stress?”.  Afinal, estava tão feliz, nessa altura! Eles foram vagos. Isto do stress tem muitos motivos, difere de pessoa para pessoa… uma grande mudança, uma operação…. Tinha , de facto, feito uma operação, mas na minha cabeça o stress já lá ia. Ambos os médicos, no entanto, consideraram que a operação devia ser a causa do stress.  Era só dar tempo ao tempo e esperar que os meus olhos deixassem de reagir  tão fortemente à lentes. Não, não havia mais nada a fazer.

E pronto. Começou assim o meu regresso à (segunda) infância. Já dizia o meu inimigo numa canção : “Mais vale nunca mais crescer!”.

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A meia idade e eu

Eu sabia que estava a ficar velha. Ninguém acreditou. Por azar, começou ao mesmo tempo uma crise profissional e familiar. Foram muitos os anos perdidos a tentar resolver tudo. Não resolvi nada. Bati no fundo.

Há pouco tempo voltei a respirar, peito cheio, como se regressasse à tona de água. Tarde de mais para fazer muito do que gostava de ter feito, mas prometi -me que ia voltar a sentir afecto por mim. Este blog faz parte desse trabalho – vou explicar o que aprendi esperando que possa servir de aviso a alguém. Ficaria orgulhosa.

Até já.

PJ Amsterdam